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domingo, abril 25, 2010

Sebastianismo em “Frei Luís de Sousa”

“No “Frei Luís de Sousa”, o mito sebastianista alimenta, desde o início, o conflito vivido pelas personagens, na medida em que a admissão do regresso de D. Sebastião implicava idêntica possibilidade da vinda de D. João de Portugal, que combatera ao lado do rei na batalha de Alcácer Quibir, o que, desde logo, colocaria em causa a legitimidade do segundo casamento de D. Madalena. Não é inocente, nem fruto do acaso, o facto de Garrett ter concebido que Madalena aparecesse em cena justamente a ler “Os Lusíadas”. Efectivamente, tal facto está também associado ao mito sebastianista que, deste modo, marca a obra desde o seu início.
Quem se encarregará, pois, de dar corpo a tal mito? Telmo Pais, o velho aio de D. João e em cuja morte não acredita, e Maria, filha de D. Madalena de Vilhena e de Manuel de Sousa Coutinho, educada por Telmo.”

Sebastianismo

Pintura a óleo atribuída a Cristóvão de Morais, patente no Museu Nacional de Arte Antiga.

O Sebastianismo foi um movimento místico secular causado pelo desaparecimento do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, a 4 de Agosto de 1578 e a consequente perda da independência de Portugal aquando a morte do seu sucessor e tio-avô, D. Henrique. Dos três possíveis herdeiros (Duquesa de Bragança, D. António e D. Filipe II) foi escolhido o rei espanhol, D. Filipe. Os portugueses, inconformados, começaram a acreditar no aparecimento miraculoso d’O Desejado, D. Sebastião, numa manhã de nevoeiro.
Portanto, este misticismo traduz-me num desacordo face à política vigente em Portugal, acreditando e propagando no facto do rei desaparecido ainda estar vivo e que viria reerguer o império português.
Finalmente, a independência portuguesa foi restaurada a 1 de Dezembro de 1649 por um grupo conspirador chefiado pelo Duque de Bragança (futuro rei D. João IV da dinastia Brigantina).
Foi então que o movimento começou a desvanecer, até desaparecer por completo.